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00/05/60 • ALMA CIGANA - Acervo Koatay 108

00/05/60 • ALMA CIGANA

Década de 60 > 1960
Meu Deus! Como mudamos de roupagem…
Já fui alteza e fui escrava indiana.
Porém, nunca deixei de ser
A minha alma cigana
Sempre estou a prever futuros,
O passado… Tenho tanta facilidade!
Por que, então, não posso ver
O meu futuro na realidade?
Sempre leio em linhas reais.
Ao descortinar-me a vida,
Em vez, vedam-me os olhos, sorrindo,
Para não me amargurar, eu sei!…
Por que o meu carma, cheio de dor?
Se o meu futuro pudesse ver!…
Lembro-me, então, meus irmãos
Quantas coisas eu tenho a esconder…
É uma dádiva de Deus
O que os ciganos sempre veem,
E são levados às alturas
Para a magia aprender.
Depois, juram com fidelidade
Nunca os limites exceder.
É melhor receber uma alcunha
Que os outros enlouquecer…
Muitas ciganas limitam-se
A pequenos carmas mudar.
Quem sabe, vendo o meu,
O poderia modificar?
Sei apenas que nos meus caminhos
Tem vales e espinhorões,
Tem muitas portas estreitas,
E, nas sombras, às vezes, punhos!…

(Pelo espírito do GENERAL)
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