02/02/75 • ÁUDIO - PERSONALIDADE
Década de 70 > 1975
Falta parte do início e do fim.
1 • Personalidade
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... Esperando uma falha, isso já aconteceu, e nunca tivemos. Sabem que eu tenho os segredos de todo mundo, e nunca eu achei o mal em ninguém. Salve Deus!
Então, assim como todo mundo vão se queixar de vocês, eu quero dizer a vocês a minha vida, contar a vocês a minha estrada, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo! Eu tenho um juramento com Jesus, e quero que vocês saibam como eu cheguei até aqui. E porque eu quero que vocês sejam quem vocês são, estão entendendo?
A nossa personalidade, a gente não muda! A gente muda de religião, muda até de crença, mas a personalidade não muda. Quando vocês me pedem uma coisa:“Tia, eu faço isso ou faço isso?”
O quê que eu digo a vocês?
“Eu vou pedir a Deus, o que for melhor você faz!”
Não é assim?
“Tia, eu faço assim ou faço assim?”
Quando eu vejo que aquele caminho é perigoso, eu falo:“Não, meu filho, não faz isso não.”
Então eu não deixo você vacilar, mas eu sempre faço, eu sempre falo:“Olha, eu vou cuidar.”
Porque a gente não muda a personalidade. Eu comecei com a minha, e eu vou explicar bem a vocês, porque que eu amo tanto a todo mundo, e vejo essa igualdade, essa coisa bacana que nós temos.
Eu fui criada, e os únicos dois anos que eu estudei foi num Colégio de Freiras de Ursulina. A minha tendência religiosa foi muito grande. Quer dizer que não tem nada que me ligue à vida espiritual. Dois anos também…
Meu pai, até hoje ele não sabe por que, que meus irmãos, todo mundo estudava, mas ele não me deixava. Era o Pai que não queria mesmo, né? Porque ele quer que seja assim, tem que ter paciência comigo, pra receber um pouco de esclarecimento.
Então, e depois, eu fiquei viúva, eu me casei com dezessete anos, e fiquei viúva com 22 anos. Fui trabalhar de motorista de caminhão. Como motorista, eu criei, aquela mesma personalidade que eu entrei num caminhão, que eu recebi uma Carteira de Habilitação Nacional, Nacional!
Aquela mesma personalidade de quando eu estava no Colégio de Freiras, isso eu me lembro perfeitamente, eu continuei. Eu era tão querida por meus colegas, é capaz que ainda tem algum por aqui, que eles, eles me respeitaram, eles me respeitaram muito! Não tem uma queixa de um colega! E eu era uma moça com vinte e poucos anos!
Tinha aqueles comentários, mas nunca… Sempre vivendo a minha vida, sempre a minha personalidade! Comentários que eu era homem, que eu era mulher, outros… Proposta de casamento, essas coisas da vida, reajustes da vida mesmo, sabem? E eu nunca alterei minha personalidade!
Quando foi um dia, aí eu fui embora pro Paraná, viajei pra Paranaguá, o Brasil todo, sempre com meus quatro filhos, cinco com a Gertrudes.
2 • Personalidade
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Quando foi… Não sei, tem tantos mil anos que eu. Quando foi, eu estava, eu era profissional há uns cinco anos, eu estava em casa, cheguei em casa com o caminhão carregado de algodão, uma carga pequena, e eu tive uma tristeza. Porque a minha vida é uma maravilha, nunca tive nada pra chorar, meus filhos são uma riqueza, uma situação boa. Me deu uma vontade de chorar, e eu chorei tanto! E depois eu me vi sentada onde eu estava. Quando eu me acordei, tinha doze dias, e cinco médicos na cabeceira da minha cama!
E foi um fenômeno, então eles ficaram assim fazendo plantão, sabem, não me deixaram mais. Até que, então, chamaram uma mulher espírita, e a mulher veio me deu um passe. E eu acordei, fraca, e tal, sem comer, sem acordar, dormindo tranquila, calma…
E outra coisa, eu podia ter visto o Canal Vermelho, ter visto outros mundos, não é? Não vi nada, não sei de nada! Apaguei mesmo! Quando eu acordei, aí, quando essa mulher me acordou, eu botei a mulher pra fora de casa, mas pensando no Colégio de Freira, sabem? Aonde eu fui, a minha formação. E a mulher disse:“Minha filha, olha, você vai ser uma grande espírita”
E eu falei:“Não! Não vou não, eu sou o que eu quero, o que eu quero ser!”
Então, e desse tempo pra cá, as coisas ficaram mais difíceis. Mas, como eu era uma pessoa muito querida, eu cheguei de caminhão em Goiânia, e já me pegaram, os repórteres, e tal. Me pegaram e pediram pra eu trabalhar numa empresa de ônibus, como motorista, no Expresso Goiás Ltda., muitos aqui devem me conhecer de lá.
Eu fui trabalhar como motorista. Cento e tantos motoristas, só eu mulher. Agora você quer ver, a pessoa quando tá acompanhada pelos espíritos, eles Nunca deu uma batida, nunca aconteceu nada comigo, trabalhei dois anos, quase três anos, nunca me aconteceu nada, aliás, dois anos. Nunca me aconteceu nada, olha, tanto motorista lá, bacana, grandes profissionais, e só comigo que não acontecia as coisas, mas era a mão de Deus! Viajei, então, Doutor Carlos me chamou pra vir pra cá, aí foi que começou essa. A minha vida espiritual.
Eu vim trabalhar, vim trabalhar no IAPI, na NOVACAP, e um dia, eu cheguei em casa, eu tava cansadíssima, mas não tinha nada que eu gostasse na vida que… Então eu Chegou um senhor na cabeceira da minha cama, e disse pra mim:“Olha Fia, como vai?”
Eu falei:“Você não é o velhinho do Calango?”
Ele falou:“Sou, sou sim!”
“Mas você não morreu?”
Ele falou:“Morri, mas tô aqui minha filha, vim te ajudar.”
Eu falei:“Como é que você vai me ajudar se você é um mortinho?”
Ele falou:“Não! Eu vou lhe ajudar, eu vim lhe ajudar minha filha!”
Aí, quando eu olhei assim né? Falei: uai, ele morreu! Aí veio esse impacto que a gente tem sabem? Da vida fora da matéria e dei um grito! Dei um grito, fiquei doida, louca, louca da vida, sabem?
Mas eu precisava me enfraquecer, pra abrir essa clarividência universal. Eu só via por aqui, né? A primeira dimensão, a segunda dimensão, então começou, aí eu não comia, veio aquela, aquela perturbação. Mas a proteção espiritual, ela é tão grande, que aí me levaram pra uma sessão. Me levaram pra uma sessão, você vê bem como foi a minha vida espiritual hem! Sem caridade, não há nada no mundo meu filho, nada! Olha que eu tinha uma proteção!
3 • Personalidade
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Quando chegou lá no Templo, no centrinho, no centro pequenininho, Doutor Targino, que me ajudou muito, que Deus o abençoe, ele disse… Ele ficou assim, ele pensou… “Mas, que coisa, pode ser uma mistificação, pode ser uma mistificação!” E eu tava doidinha, né? Nem ligava pra nada. “Pode ser uma mistificação”. Porque já desse tempo, as pessoas já viviam assim comigo. Não sei o que achavam em mim, toda hora um visitava e iam atrás de mim e: “Neiva!”
Aliás:“Baiana!”
Me chamavam “Baiana”. Quando:“Isso pode ser uma mistificação dessa Baiana!”
Eu cheguei perto dele e falei assim:“Mistificação não! O quê que é isso? É mentira? Não tô mentindo não!”
Ele só pensou! Aí ele falou assim:“Graças a Deus! Obtive o que eu quis!”
Aí ele viu que eu era verdadeira, estão entendendo? Ele falou:“Graças a Deus!”
Eu fiquei com tanta vergonha daquilo, sabem? Quer dizer, que ele agradeceu a minha humildade! Eu não sabia, eu era atrapalhada…
Então, aí, no outro dia, eu saí aliviada de lá. Quando eu fui saindo aliviada, eu cheguei em casa, desci, fechei a porta do carro. Aí, eu sempre pegava a chave e tirava do carro. Eu fui, fechei a porta do carro. Chegou Mãe Yara assim sem luz, eles apagavam a luz, porque se eu visse eu me alarmava, né? Tiravam todo aquele manto deles. Chegou e falou assim: “Filha, você não tirou a chave do seu carro!”
Eu falei:“Uai, que graça! Nunca deixei de tirar…”
Ela falou:“Hoje você esqueceu.”
Eu falei:
“Mas por causa disso você não vem conversar comigo não! Cruz credo!”
Aí pensei comigo: “É só dar um pouquinho de asa eles juntam tudo atrás de mim! Eu não vou mais naquele Centro não! Aquela mulher tava lá dentro, não vou mais!”
Aí ela apareceu. Apareceu, quando ela tava assim, ela falou assim:“Filha, você precisa botar a sua cabecinha no lugar, você tem muita coisa pra fazer!”
Eu falei: “Mais do que eu faço?”
Ela falou: “Você tem muita coisa pra fazer, se você começa assim, eu vou tomar providência com você!”
E ninguém pode fazer ameaça pra mim, sabe? Se a pessoa faz ameaça ou marca um horário, é dureza pra mim, sabem? E eu falei:“Tá bom, a senhora tá fazendo ameaça pra mim, não é?”
Foi a segunda vez que eu estive com Mãe Yara, eu falei: “A senhora tá fazendo ameaça pra mim, eu lhe obedeço, porque você é espírito, você é mortinho, mas…”
Aquele “mas…”, ela me olhou assim, sabem, e eu baixei a cabeça. Tá bom, aí não tinha jeito, aí fiquei num estado terrível. Chegou um senhor, uns colegas que eu tinha, correu a notícia que eu estava doida.
E eu, então, eu fui viver, eu fui viver com um, com um rapaz, eu tinha que me casar com ele, porque a espiritualidade queria que eu me casasse com ele, e eu não aceitei. Então ele vivia lá em casa, vivia lá em casa, ele me ajudou muito, me encaminhou completamente para a vida espiritual.
4 • Personalidade
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Então, com aquela, aquela paciência que ele tinha comigo, ele me explicava as coisas, e eu fui recebendo assim, as mensagens, ele descrevia, e se fez um verdadeiro Doutrinador ao meu lado. Mas isso pra mim se tornou um conflito. Então, tudo que vinha, aquela dosagem enorme, sabem? De Clarividência, de profecia, de tudo, e aquela minha vida com aquele rapaz... Isso, eu estou dizendo a vocês com todo amor, e dentro da minha personalidade, que eu estou explicando pra vocês. Mas, tudo isso foi pior pra mim, estão entendendo?
Mas, o medo que o Pai Seta Branca, o que o Pai Seta Branca queria, era que eu tivesse um casamento, ele queria que eu tivesse um casamento, pra não continuar esse, esse sacerdócio de celibato, deturpado, de falsos preconceitos, de falsos preconceitos, entenderam?
Então, tudo veio em mim, foi uma bagagem só. Quando eu descambava na minha vida profissional, entenderam? Eu era mais segura!
Eu quero que vocês compreendam, a vida espiritual, tem muita coisa que a gente não compreende. Às vezes te dá um pé, um salto, e você pensa que é aquela corrente, você pensa que você está mal assistido, e, no entanto, está tudo seguindo certo.
Porque tudo foi terrível, foi tudo muito terrível pra mim. Esse impacto, esse conflito se tornou um impacto, e eu não amava a pessoa, não amava ninguém, e comecei a odiar as pessoas inclusive, por causa desse conflito. Essa vida bacana que eu tive, que eu vivi até hoje, eu não tenho assim uma mancha, eu não tenho nada que viesse me causar uma vergonha, um vexame a meus filhos, estão compreendendo? E, no entanto, tive esse impacto. E, até que o Pai veio, e disse que eu precisava, que eu precisava me realizar.
E eu fui levada pra essa Ordem, a União Espiritualista Seta Branca, que fizeram, e eu sendo a médium principal, e fui, e lá começou mesmo a minha vida espiritual. Foi feito esse juramento, e quando tudo estava bom, eu já estava à distância.
Porque logo esse companheiro, que o Pai quis que vivesse ao meu lado, graças a Deus eu já estava separada. Logo que eu afirmei minha vida espiritual, o Pai admitiu que eu também me separasse dele. Então, eu fiquei serena, sabem? Eu fiquei realizada, fiquei tranquila, e o Pai me chamou e disse:“Olha, agora você pode!”
Você vê, muita gente procura a vida espiritual pra resolver um problema, pra isso, não! A única coisa que nós temos é desenvolver a nossa mediunidade. A preocupação que vocês têm que ter é desenvolver a mediunidade e deixar que Deus resolva sua vida! Esqueça daquilo que você pensa:“Eu devo fazer? Eu não devo fazer? Eu vou fazer. Isso tá certo? Isso tá errado? Ou fulano tá certo? Fulano tá errado?” Não!
5 • Personalidade
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Você tem que levar uma vida, só uma vida, só a sua personalidade. Então, quando o pai me libertou desse companheiro, foi como se tivesse tirado o maior sofredor de cima de mim. Eu fiquei na minha personalidade, mas foi preciso que o Pai Seta Branca tirasse a minha personalidade para eu poder recebera vida espiritual, porque eu não aceitava absolutamente a minha Clarividência.
Olha, eu digo a vocês em nome de Cristo, eu um dia pensei em me cegar, tá bom? De tanto horror que eu tinha da Clarividência. E era assim, onde eu olhava eu via as coisas, porque estava desenvolvendo também a Clarividência Universal, que é a quinta dimensão. Eu enxergo meus filhos, tudo que você possa pensar, eu enxergo no Plano Espiritual.
Agora, uma coisa que me tirou um pouco, foi aqui no plano físico, sabem? Às vezes eu não enxergo pessoas do outro lado, mas enxergo o que tem lá espiritualmente, sabem? Agora, estando mediunizada eu sei, que tem duas médiuns ali do outro lado, tem uma do cabelinho assim levantado, mexendo na fita da outra, ali do outro lado. Salve Deus!
Sabem, mas não é tão fácil, como era. Então, minha vida estava ótima, e eu escrevi Mayanty. Aí eu amanheci o dia, estava bem, então o Pai disse… Fiz o juramento de joelhos, fiz a iniciação, e pedi ao Cristo, peço ao Cristo, que arranque meus olhos o dia que eu disser alguma coisa que não seja verdadeira das coisas espirituais, entendem?
Entreguei ao Cristo meus olhos pra Ele arrancar no dia que eu disser uma coisa que não seja verdadeira. Então, depois desse juramento, depois de tudo consagrado, o Pai insistiu, Mayanty estava pronto, Ele disse:“Agora, você vai se casar.”
Porque eu tinha que ter um companheiro pra poder continuar a minha missão. E tudo que Ele fala acontece. Eu tinha um casamento que é muito antigo, ou, um rapaz que me esperava, pra se casar comigo. E nesse dia, olha, o Pai falou hoje. Você vê como são as coisas, não precisa a gente ter pressa para as coisas da gente.
Então, ele mandou me buscar, soube que eu estava na UESB, e mandou me buscar, que estava no tempo que nós tínhamos marcado. Marcado? Eu pensei comigo:
“Não marquei nada com ninguém!”
Então eu fui. Eu pensei: Vou ou não vou? E meus filhos:
“Vai mãe, faz o que a senhora quiser!”
E chamei o Compadre Antônio e ele foi comigo. Foi o Antônio que foi comigo. E o Pai preparou tudo como se fosse uma coisa do gosto do Pai Seta Branca! O homem era protestante, se não morreu ainda é! A família toda protestante. Então, e eu realmente, já que era pra me casar, eu preferia que fosse com ele. Então, tá tudo certo, fui. Falei para o Compadre Antônio:
“É compadre, vou despedir da minha vida.”
“Pois é, comadre, vamos embora.”
E fui, estava escutando Mayanty onde eu ia né? Quando eu cheguei, em nome de Jesus Cristo, um palacete. Pai Seta Branca, mas caprichou com tudo! Ele falou:
“Você virou espírita?”
6 • Personalidade
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Falei:
“Virei não, eu sou!”
Ele falou:
“Que horror. Mas você vai deixar isso, né?”
Eu fiquei assim, ficamos conversando ali assim, a mãe do rapaz, quantos anos, ficou, uma coisa de Deus, mas falei:
“Mas o Deus dele não é o meu!”
Então, quando eu vi, Mãe Yara estava outras dele, com o mesmo olhar:
“Filha, o que você descobriu?”
Eu estava no segundo dia. E eu levando, sabem, iam me levando e eu também ia, né? Eu estava começando a gostar de tudo, né? Eu estava num barraco furado, eu ia pra uma casa muito bacana, falei.
“É Mãe Yara, aqui não tem como sair, o Pai quer, né?”
E ela:
“Graças a Deus! Resolva minha filha, você mesma. Você tem a proteção!”
Aí eu vi aquele coro cantando Mayanty e levando Mãe Yara, sabem? Eu falei… Uai… A casa era alta, eu tava assim na porta, eu falei:
“Meu Deus é uma cilada!”
Aí fiquei assim, né? E vi, eu vi assim, um lugar como esse, mais tampado, vi um tanto de pedra enorme, e vi uma porção de gente. Eu vi aleijado demais, eu vi uma romaria daqui pra Planaltina. Isso tem dezesseis anos, eu vi aquela romaria, e nem se falava em Brasília, em nome do Pai Seta Branca! E eu falei:
“O que é isso?”
E fui caminhando, e fui vendo mais coisas.
“Olha Neiva, cuidado, espera aí.”
Eu falei:
“Não, eu já vou embora.”
“O que você tem? Você tá doente?”
E eu já devia tá exuzada, nessa altura, né?
“Me leva lá no hotel.”
Cheguei lá no hotel e:
“Compadre, vamos embora agora. Olha, eu vou pra casa, estou passando mal, estão me chamando, olha, quer saber de uma coisa, fica com Deus, tal.”
Saí assim, mas numa inconsciência, sabem? Mas na minha personalidade. E não tive, não insistiam, não falou pra mim “não vá, se case porque você vai ter que se casar”.