26/02/68 • ÁUDIO - HISTÓRIA DA ALDEIA ENCANTADA
Década de 60 > 1968
1 • HISTÓRIA DA ALDEIA ENCANTADA
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Salve Deus meu pequeno Pajé! Salve Deus!
Salve Deus minha querida Gertrudes! Salve Deus meus filhos Dirigentes desta abençoada Escola do Caminho!
Meus filhos! Estamos numa marcha de desenvolvimento que a criança tem por lei, por obrigação de se responsabilizar por esta pequena Missão que é a Missão do Pajé.
Salve Deus, meus filhos, eu conheço uma história que nos conduz ao Pequeno Pajé, que nos conduz ao Pequeno Pajé:
“Era uma vez, era uma vez um casalzinho de criança muito bacaninha, muito bonitinhos, que resolveram estudar, depois se casar, ser um Cientista e caminhar, caminhar, caminhar, ir bem longe em busca de uma Aldeia, de uma Aldeia desconhecida.
E assim, esse dois pequenos jovens começaram a estudar. Estudaram, estudaram, estudaram muito, muito mesmo. À noite eles se encontravam e promoviam lições, e ficaram meninos bem aplicados. Um dia disseram pros pais:
– Nós vamos embora. Nós vamos pelo mundo, em busca de… de um, de ciência, de descoberta, de conquista."
Então, os pais disseram:
– Não, não podem! Primeiro vão se formar, vão estudar mais, depois vão se casar e vão os dois viajando!"
Então os dois estudaram, estudaram, até que ficaram dois rapazinhos, uma mocinha e o rapazinho. Aí pediram, foram pedir consentimento aos pais, os pais falaram:
– Agora vocês vão se casar".
E os dois se formaram, dois cientistas, e se casaram. Um dia, enquanto eles tavam preparando a casinha deles, veio uma vozinha e disse assim:
– Olha, meus filhos, eu sou a Vozinha do Espaço, e quero que vocês façam um barquinho, um barquinho que viaje muito longe, que vá muito longe, porque vocês vão encontrar uma certa cidadezinha que é a cidade do Pequeno Pajé".
Ai os dois cientistazinhos, o casalzinho, começaram a estudar. Estudaram, estudaram, estudaram, e… pra ser agora cientista. Então ela disse olha:
– Olha, façam o barquinho".
Eles estudaram o barquinho, souberam fazer o barquinho, primeiro estudaram pra fazer o barquinho. E fizeram um barquinho bem seguro. Aí foram mostrar pra teus pais, se podiam viajar naquele barquinho. Aí o velho, os pais também cientistas, examinaram o barquinho bem examinado e disseram:
– Agora pode partir, parta com esse barquinho e vá encontrar uma Aldeia Encantada".
E os dois se despediram dos pais e lá se foram por esse mundo afora.
O barquinho, eles remavam, remavam o barquinho, e o barquinho saia naquele imenso mar. Ora tempestade forte, ora mais calmo, e os Pajezinhos, os dois cientistas aliás, desculpem, os dois cientistas, eles não tinham medo e viajavam, remavam, remavam, e cuidavam bem daquele paninho que ia, que marcava a direção, tinha uma bússola, e eles foram, e lá viram uma Aldeia Encantada, completamente abandonada. As rosas estavam secas, tinha uma antiga cachoeira, a cachoeira não corria mais, seca. Tudo era seco, tudo era triste e tava ali.
2 • HISTÓRIA DA ALDEIA ENCANTADA
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Então os cientistas, os dois ficaram muito tristes e disseram:
– Vamos parar aqui?
– Vamos… vamos parar aqui!
E pararam, pararam o barquinho. Quando eles pararam, uma porção de crianças muito triste, muito triste, vieram abraçar eles.
– Ah, vocês são os jovens cientistas que a Vozinha do Espaço falou. Ah, você é o cientista que veio nos libertar!"
Aí perguntou:
– Você estudou?"
– Estudamos!"
– Vocês se formaram?"
– Nos formamos!"
– Agora me diga, quem ensinou a fazer esse barco?"
– Nós estudamos também a maneira de fazer esse barco, entramos nele e chegamos até aqui".
– Ah, vocês vieram nos libertar!
Os pequenos cientistas ficaram assim surpresos, porque que eles seriam a libertação daquelas crianças, daquele povo.
– Ah, vamos contar uma história pra você, pra vocês dois, se vocês dois vão entender porque estamos sacrificados nessa Pequena Aldeia".
Aí eles dois desceram, descansaram, foram lá pra uma Mansão, e lá contaram pra eles.
– Porque que aqui é triste?"
Ah, porque aqui há duzentos anos desceu, desceu… desceu um pirata, um pirata malzinho, com muitos outros piratas, e quebraram tudo, tiraram o encanto da Aldeia. Eles enterraram um grande tesouro aqui dentro pra guardar, pra depois vir buscar. Mas quando ele… quando ele foi se encontrar com o Pajé ele mudou de ideia, e ninguém sabe por que até hoje que ele está preso. Nós estamos aqui sofrendo, a cachoeira não correu mais, a cachoeira parou de correr, as florzinhas todas secaram, e saiu aqueles caramanchôes, tudo seco, sem vida, sem nada".
Aí o cientista disse:
– Ah, vamos pedir a Deus que nós, que a gente possa libertar vocês. Eu quero ir na casa desse velho pirata!"
Não, esse pirata, ele não pode, ele é malzinho, ninguém poderá ir lá, e ele está sofrendo muito agora".
Aí o cientista falou:
– Mas nós iremos lá.
– Ah, só pode ir lá as pessoas que o conhece, pessoas cultas que possam entender o pirata, porque a vida dele é lendo livros, livros, livros, a casa dele nem se pode entrar de tantos livros que ele lê, ele estuda muito".
– Ah, sei, ele estuda muito, né? Eu também estudei muito, toda a minha vida – disse o cientista – eu levei estudando, estudando, nem brincava porque eu vivia estudando, pra chegar até aqui e libertar vocês. Agora eu compreendo, eu sei, eu vou libertar vocês porque eu também estudei muito, como o Velho Pirata. Vamos lá!
Aí foi, quando chegaram lá, o Velho Pirata saiu, com um olho só, um pano tampado um olho, uma perna de pau, tão exatamente era o Pirata.
– O quê que vocês vieram fazer aqui meus jovens?
Ele disse, e eles ficaram pequenininhos, como uma formiguinha.
– Ah, meu pirata, eu sou, eu vim aqui, eu vim aqui porque eu desejava libertar esse povo, porque eu queria conhecer, como cientista eu queria conhecer os Poderes do Pequeno Pajé que existe nessa Aldeia!
O Pirata disse:
– Ah, quem falou pra vocês?
Foi uma Vozinha do espaço, uma voz pequenininha que é a Vozinha do Espaço.
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“- Ah, sei, vocês são meus amigos!”
Aí, começou a se abraçar com eles dois e disse:
– Ah, meus filhos, eu sou um Velho Pirata que estou aqui de
castigo, preso a duzentos anos, e sabia que um dia vocês viriam me
libertar, porquê vocês têm muito amor no coração, não tem?
Aí os cientistas, pequenininho, rapazinho, falou:
– Ah, eu tenho sim, amor
Porque só as pessoas que tem muito amor no coração que podem
libertar, que podem libertar as pessoas. As pessoas que têm amor no
coração, eles chegam perto da gente e retira todo rancor, todo ódio
dos corações, ele transforma as pessoas, e vocês estão me
transformando. Ah, como eu estou sentindo feliz, você tá tirando
todo ódio do meu coração”.
Aí chamou uma outra, uma outra senhora que estava lá, e disse:
- Olha, esses são os pequenos cientistas que Deus falou que um dia
viria nos libertar. Porque só mesmo o amor do seu coração poderia
nos ajudar. ”
Ah, meu Pirata, graças a Deus nós vamos ser o instrumento da sua
felicidade, da sua libertação. Mas, me diga uma coisa, porque, me
diga uma coisa, por que o Senhor não continuou sendo o seu Pirata,
por que o senhor não saiu dessa Aldeia com o seu tesouro?”
Ele falou:
- Ah, meu filho, eu vou lhe contar a minha história. Eu cheguei
aqui, era o maior navegante que vivia nos mares. Andava por todos os
mares do mundo quando eu cheguei nessa Aldeia Encantada. Oh, como sou
infeliz! Essa Aldeia jorrava mel de cima da terra, água, rosas, tudo
era um encanto porque um Pequeno Pajezinho Encantado lá do céu
vivia cuidando dessas criancinhas abandonadas”.
“Abandonadas?” Disseram.
– Sim, as guerras, a infelicidade desse mundo jogava as
criancinhas no abandono, e eu vim aqui pra ver esse Pequeno Pajé.
Ele saia de noite no barquinho dele e pegava as criancinhas chorando
nas praias sem pai e sem mãe, e trazia todas pra cá. E eu cheguei,
e eu cheguei com toda a minha ira, com toda a minha arrogância, e
peguei, fui falar com esse Pajé. Eu queria conhecer esse homem que
tinha tanta força de andar pelos mares, porque eu era o grande homem
que não tinha dificuldades, não tinha mistério nos mares, e porque
ele era mai s sabido que eu. Ah, meus filhos, cheguei lá e disse:
Seu Pequeno Pajé, o quê que você anda fazendo por ai que é mais
sabido do que eu?
O Pajezinho baixou a cabeça e disse:
- Olha meu filho, o Senhor é um pirata, meu Senhor, me desculpe, mas
eu sou um pobrezinho que vivo aqui pela Bênção de Deus. Deus manda
mel pras minhas crianças, manda Mantras, músicas, muitas músicas
do céu pra cantar, pra eles fazerem roda, pra eles brincarem. Mas
eu, eu não tenho nada, eu vivo aqui nessa minha choupana, aqui em
cima dessa serra, mas nem mesmo as crianças eu vou lá pra ver, por
que eu vivo sempre buscando outras crianças abandonadas por essas
praias, que os piratas, que os traficantes carregam os pais e deixam
as crianças abandonadas e eu vou lá buscar, por que uma Senhora
muito bonita chamada MARILÚ é que me manda fazer todas essas
coisas.
4 • HISTÓRIA DA ALDEIA ENCANTADA
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Então o pirata disse:
– Pois eu vou lhe destruir agora".
Aí o Pajezinho falou:
– É, pode fazer. Eu já estou, morro quando você quiser
Aí, ele olhou assim pro pirata, com os olhos tristes, começou a
chorar e disse:
– Olha, seu Pirata, faça o que o Senhor quiser. Tudo isso que
você fizer aqui, você está fazendo é a ordem de Deus, porque
nessa Aldeia Encantada, só se faz aqui o que Deus quer
E nisso, ai quando ele olhou assim pra mim, os seus olhos cheios de
amor, ai eu vi todas as misérias que eu havia feito, as pessoas que
eu matava, que eu roubava. Vi as pessoas chorando, vi criancinhas
abandonadas que eu matava os pais, dos pais que eu havia matado, vi
tudo! Aí eu comecei a chorar...
O Pirata falando pros Cientistas.
- Ai eu comecei a chorar e uma transformação muito grande abriu meu
coração. Oh meu Deus! Como eu fui tão mal, porque eu fui tão
infeliz, porque eu fiz tão infeliz as pessoas..."
Então, meus cientistas, me transformou, e foi uma dor tão grande,
que eu pedi de joelhos, e ai fui lá, pedi perdão a ele de joelhos".
E ele disse:
– Não, a gente não perdoa, porque ninguém odeia, ninguém
ressente, quando se tem amor no coração a gente não tem ódio das
pessoas, a gente não tem ressentimento, então, o senhor é que sabe
o que faz da sua vida".
Aí ele gritou e os Piratas vieram com as espadas na mão, pensando
que já ia matar o Pajezinho.
AÍ os Piratas olharam pros olhos do Pajezinho, aqueles olhinhos
tristes, cheio de amor, cheio de compreensão, aí os Piratas
baixaram as espadas e ele gritou:
- Traz todo o tesouro e joga nos pés desse Indiozinho, desse
Indiozinho, desse Pajezinho, porque nunca mais eu vou ser um Pirata.
Vou morrer aqui, até o dia que eu receber o perdão do meu
Pajezinho”.
E nisso, uma porção de crianças Pajezinhas, Pajezinhos, eles
vieram com a peninha na cabeça, vinham com a roupinha branca, uma
fitinha, vinham correndo, correndo, pra onde estava o Pajezinho. E
todos eles foi enfrentando os Piratas, e tirando todos os Piratas de
cima do Pajezinho. E o Pajezinho:
– Não meus filhos, deixa eles ai….
Não! Eles querem lhe matar!"
E foram enfrentando, aquela porção de Pajezinhos, não com raiva,
mas pra defender o seu Paizinho que era o Pajé, o seu defensor, o
seu Tutor, o seu tudo, não é?
Então os Pajezinhos, com umas flechinhas, com arquinhos, eles iam
jogando aqueles Piratas pra fora, mas o Pirata, o Velho Pirata, ficou
ali arriado, chorando:
- Me perdoe meus Pajezinhos! Me perdoe se eu matei os seus paizinhos,
se fui eu a culpa de tudo isso”.
Então, o Velho Pajezinho disse:
– Olha, você, eu não posso lhe perdoar, porque a gente, se a
gente bate numa criança a gente apanha de um adulto
E assim é a vida. A gente não perdoa, a gente recebe as dívidas do
jeito que a gente compra. Se você compra você paga. Então ninguém
perdoa ninguém, apenas, se você, se a pessoa lhe bate e você bate
na pessoa, então você é o malzinho.
Você vai pedir por aquela pessoa e vai se distanciar daquela pessoa,
mas não se bate em troca. Porque nem Pai Seta Branca gosta que a
gente faça como…. Que a gente desconte as pancadas, que a gente
discuta, a gente procura ser bonzinho pra nunca precisar brigar com
ninguém.
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Se a gente tem amor no coração, a gente não precisa brigar com ninguém. O amor da gente dá personalidade, o amor da gente traz uma moral que basta olhar, as pessoas já se sentem unidas.
E foi assim que o Pajezinho fez. E o Velho Pajé ficou ali dormindo:
– Você vai ficar de castigo duzentos anos! Vai ver o mundo em evolução, outros piratas que vão matar, outros piratas que vão abandonar outras crianças. Você vai pagar tudo que os outros fizerem aqui nessa Aldeia. Enquanto você tiver de castigo aqui, a água, não vai jorrar água nem mel, e nem os caramanchôes onde as crianças brincam, tudo continuará seco até quando você pagar o que você deve
Duzentos anos! O Pirata falou:
– Ah, graças a Deus, encontrei o perdão, então se tem quem me corrige tem quem me ame!
Então ele sentiu que o Pajé amava ele, porque senão não dava essa oportunidade, botava ele pra fora da Aldeia Encantada. O Pajezinho fez igual Deus faz com a gente. Ele, Deus, Ele não perdoa, mas ele corrige, Ele corrige a gente. Nós temos quem nos corrige, temos quem nos ama. Os pais, os vossos Pais Pajezinhos, eles corrigem porque vos ama.
Sim. Vamos continuar a história. Então, o Pirata falou:
– Essa é a minha vida meu Cientista.
Os cientistas ficaram muito tristes, disseram:
– Agora, nós vamos lá no Pajezinho, vamos ver se ele vive, porque que ele é tão triste lá em cima, sem vera Pequena Aldeia dele, tão triste, tudo tão seco, sem nada
Aí o Pirata falou:
– Então vamos, vamos lá. Vamos, vamos lá!
Aí, pediram licença àquela porção de Pajezinhos que viviam ali tristinhos, não tinha som pra eles cantarem as rodinhas deles, não tinham nada, só brincavam assim devagarzinho, com medo de acordar o Pirata, com medo de acordar o Pajezinho. Aí o cientista disse:
– Não, vamos lhes libertar meus Pajezinhos, a água irá de jorrar dessa terra, e o mel também!
Aí o Pajezinho, aí os Cientistas despediram dos Pajezinhos e subiram a serra. Era uma serra muito alta, que só as pessoas que tinham amor no coração podiam subir aquela serra. Porque quando o Pajezinho brigou com o cientista ele subiu lá pra cima da serra, desgostoso como quê.
Então, eles foram fazer aquela escalada, subiram a serra. Lá o Pajezinho tava com os olhinhos mais lindos ainda, brilhando, olhando assim como quem está olhando para o horizonte, com as perninhas cruzadas, os bracinhos.
– Ah meu velhinho, nós viemos te salvar! Nós viemos libertar tua Aldeia!
Aí o Pajezinho, olhando com todo amor para o Pirata, olhando com todo amor para o Pirata, como se fossem velhos amigos, como se nunca o Pirata tivesse feito alguma maldade com ele.
Aí o pequeno cientista olhando, viu no chão aquela porção de pérolas, brilhantes, diamantes de todo jeito, ouro, muito ouro, e falou:
– Porque está aqui esse ouro todo Pajezinho?
Aí o pirata baixou a cabeça, tão envergonhado:
– Ah, fui eu que vim intimidar, vim comprar o nosso Pajezinho. E tenho a maior vergonha!
E jogando com o pé aquelas coisas, disse:
- Oh meu Deus, faz que desaparece todo esse tesouro daqui que isso me envergonha, a baixeza do meu espírito, de comprar o Pajezinho! Veja se eu seria capaz de comprar um tesouro desse que é esse Pajezinho!
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Aí ele foi jogando com os pés, com tanta vergonha, pois se uma Aldeia que tinha mel, se jorrava água lá de cima do céu, então, quê que valia aquele ouro? Quê que valia aqueles diamantes? Quê que valia aqueles todos aqueles colares lindos, aquelas coisas?
Não valia nada, porque o Pajezinho tinha o que ele queria, ele pedia a Deus, pedia à Vozinha do Espaço e ela trazia tudo na mão dele. Então, aquela porcaria de ouro, de diamante, não valia nada, nada, absolutamente nada, aquilo ali eram coisas da terra, que ladrão roubava, que tudo. Então, ele jogou assim, e todo aquele tesouro foi desaparecendo, aquelas porcarias brilhando, então o Pajezinho sorriu e o cientista disse:
– Pajezinho, fala alguma coisa!
E ele disse:
– Meus filhos, vocês têm amorno coração! Olha como eu comparo o homem
Nisso tinha uma fogueirinha, uma fogueira com umas chamazinhas ardentes, naquela fogueirinha onde o Pajezinho se esquentava. Aí uma estrelinha muito linda, ela brilhava, pulava, pulava aquela estrelinha, não tinha condições porque quando ela começava a abrir aquelas chamas, apagava, e secava outra vez aquela estrelinha. Aí ele disse:
– Essa fogueira é o homem, e essa estrelinha é o coração do homem. Toda vez que essa estrelinha começa a crescer – quer dizer, quando o coração começa a ficar grande, começa a amar – aquelas chamas ardentes da gulodice, da malcriação, entenderam?
Da preguiça, de que não quer estudar pra ser um homem, pra ser gente, é aquelas chamas. A estrelinha vai se apagando.
Então o cientista disse:
- Vou jogar a estrelinha do meu coração!".
Aí jogou uma estrelinha encantada, e aquela estrelinha foi crescendo e aquelas chamas foram apagando. E então ele disse:
– Este é o coração de quem ama!
Enquanto o cientista dizia:
– Agora eu sei porque meu pai mandava eu estudar e eu saber todas as coisas. Hoje eu sei o valor dessa estrelinha. Eu me lembro quando meu pai, quando eu sai, quando eu pedi pra vir pra Aldeia Encantada, quando eu pedi pra vir pra Aldeia Encantada, meu pai e minha mãe mandou que eu fosse estudar pra saber fazer o barquinho. Estudei também pra fazer esse barquinho que está ancorado
Nisso, quando o cientista mostrou a obediência deles com os pais, quando o cientista mostrou todo aquele amor, todo aquele amor que eles tinham, aí se ouviu um grito, a cachoeira começou a correr, mel pelas ruas, aquele mel fino. E começou as coisas acontecerem, havia um som, e aquelas crianças começaram a dançar, outros fazer as suas rodinhas, e nisso um navio muito grande foi ancorando e trazendo mais outras mil e mil e mil crianças e os cientistas desceram, aí o Pajezinho disse: - Quem vai ficar aqui no meu lugar vai ser o Velho Pirata”.
E segurando a mão do Pirata, botou no lugar dele e disse: - Agora eu vou pro Céu
E foi despedindo e subindo pro Céu. E o Velho Pirata ficou ali sentado, de castigo. Nisso, nisso toda festa, mil festas, mil coisas eu via naquela Aldeia. E então os cientistas, os pequenos cientistas tavam com muitas saudades dos paizinhos deles e disse:
– Agora nós vamos embora.
7 • HISTÓRIA DA ALDEIA ENCANTADA
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Os Pequenos Pajés ficaram tristes, eles entraram no barquinho e foram embora. Foram se embora, e foram cantando, cantando, e os Pequenos dando adeus a eles até eles sumirem no mar, lá no mar. Então ele disse pras crianças do Pajé:
– Um dia eu vou voltar pra contara vocês uma outra história, porque daqui nós vamos pra outra Aldeia Encantada
Salve Deus! Meus Filhos, vocês, pequeninos, são pequenos cientistas. Procurem ser bonzinhos, ser educados, procure sempre obedecer aos seus paizinhos, que trabalham, que sofrem pra comprar roupinha, o sapatinho, a escolinha, é preciso que o Pajezinho seja bonzinho, pra um dia ter também sua Aldeia Encantada. Um dia nós vamos passear muito longe daqui e vamos pra Aldeia Encantada.
Hoje fazem quase dois meses que eu fui com uma porção de Pajezinho ver também uma Aldeia Encantada. Lá foi muito bacana, passeamos e tudo, e assim, um dia eu quero também trazer uma porção de ônibus e levar vocês pra ver uma Aldeia Encantada. Mas é preciso que estude muito, porque têm muitos perigos, e nós precisamos saber aonde botamos nosso pezinho.
Salve Deus, meu Pajezinho. Tia Neiva.
Espero que vocês entendam essa historinha, e que estudem muito pra conhecer as Aldeias, mil Aldeias Encantadas que existe em todo esse Universo. Salve Deus!
Hoje é um domingo, é dia vinte e seis, vinte e seis de fevereiro de mil novecentos e setenta e oito. Salve Deus, Pajezinho!
Domingo, se Deus quiser, eu venho contar a vocês uma outra Aldeia Encantada que eu conheço.
Salve Deus!
Agora, cantem comigo:
Somos aves em busca de luzCom Jesus queremos saberDos nossos titios JaguaresO Evangelho vamos aprenderE quando soubermos tudo direitinhoA vida sorri, tudo é facinhoMarcharemos em busca do tesouroDa Aldeia Encantada do velho PajéDa ira, da dor, do sábio pirataDuzentos anos de castigo ficouE quando soubermos tudo direitinhoA vida sorri, tudo é facinhoO Mestre Tumuchy nos prometeuDa Aldeia EncantadaO mapa fazerE quando soubermos tudo direitinhoA vida sorri, tudo é facinhoTia Noemi e Tio CadinhosOs nossos queridos titios com amorSalve Deus Tio Assis, Salve Deus!O Pequeno Pajé se formouE quando soubermos tudo direitinhoA vida sorri, tudo é facinhoSalve Deus!